
Navegando em minha ‘tag surfer’ encontrei um precioso texto que me fez lembrar uma experiência pessoal. Por sugestão do autor, escrevo o presente post.
É ele uma resposta ao:
Eis a resposta:
Passei a sexta-feira toda na folga (é, enforquei o trabalho) na casa de um casal de amigos.
A conversa estava tão boa que quando nos demos conta já era prá lá de meia-noite (estava eu virando abóbora, hehe).
Então fui-me embora.
Moro em Sampa desde que nasci, mas não costumo dirigir por aquelas bandas (uma coisa é você usar o transporte público ou o táxi-sola, outra é você dirigir, quando menos espera: contra-mão!): acabei me perdendo ao subir o viaduto errado!
E, ante ao adiantado da hora, comecei a ficar com medo: mulher sozinha na direção pelo centro de sampa à 01:00 hs (ai, ai).
Não queria parar para pedir informações: o que seria mais inseguro? Um carro andando à esmo ou parado?
Mas não houve outra alternativa, tive de fazê-lo. Lá pelas bandas da Rua Liberdade, por aquelas ruas escuras, tive de parar perto de um ponto de táxi, onde havia um morador de rua.
Parei um pouco longe dele, apesar de tê-lo escolhido para meu pedido de informações.
Surpresa: antes que eu o chamasse, ele se adiantou e perguntou ‘precisa de ajuda?’.
Por óbvio que a resposta foi positiva, ele me ensinou direitinho a chegar à Avenida Radial Leste (tão fácil, que vergonha!).
E – note a ênfase no ‘e’ – não me pediu nada em troca, só um cigarro.
Eu super-sem-graça, perguntei: ‘o senhor precisa de mais alguma coisa?’
Ele respondeu: ‘preciso, mas a senhora não deve ter nada para comer aí, ne?’.
Eu respondi negativamente – não tinha mesmo!
E, enrubescida (vermelha qual pimentão) perguntei: ’serve dinheiro?’
Ele ficou vermelho, baixou os olhos e disse: ’se não for incômodo!’
Aquilo tudo me deixou tão estranhamente envergonhada, lembrei-me de Cecília Meirelles e de Clarence Seward Darrow:
Cecília escreveu um texto (não me recordo o nome), em que uma mulher abastada ia a uma loja de doces, encontrando uma menina pobre, resolveu dar à ela quantos doces ela quisesse. Finalizou o texto dizendo que a mulher comprava ‘anestésico da consciência’.
Clarence, um advogado estatudinense do início do século XX, reslveu defender uma causa quase perdida, que lhe renderia perda de clientes e muito desafeto. Quando questionado porque o fazia, respondeu: ‘quando um homem passa perto de um pedinte, ele vê aquela situação, volta e dá 5 pence. Provavelmente este homem não pode dispor destes 5 pence, mas o faz para comprar ‘alívio social’.
No meu caso específico, queria ser grata ao homem. Mas gratidão não se paga com dinheiro, não são estas coisas dignas de escambo.
Sentí-me indigna por ter demonstrado minha gratidão desta forma, por ter reduzido minha necessidade de agradecê-lo a uma reles questão monetária.
C’est la vie…..
Mais indigna ainda é que ainda existam humanos reduzidos à tal miséria…mas isso já é outra história.
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Pobres daqueles,
Que julgam-se livres,
Não obstante acorrentados por toda a parte,
Pobres daqueles,
Que julgam-se superiores,
Aos demais animais (inclusive aos demais animais humanos),
Sem perceber, no entanto,
Que estamos (todos) no mesmo nível que eles,
Pobres daqueles,
Que julgam os outros pelas roupas ou condição financeira,
Que vêem os outros como produtos de supermercado,
Rotulam-nos, classificam-nos e escolhem-nos,
Pobres de nós,
Que tendo pouco mais de conforto,
Achamos que estamos livres da miséria,
Enquanto que o conceito ‘miséria’
Pode atingir outros aspectos de suas vidas
Pobres de nós,
Que perdemos a capacidade de ter empatia,
Que perdemos a simplicidade das coisas,
Que perdemos a alegria,
Qual preocupados ficamos em ‘ganhar o dia’.
Pobres = somos todos!!!
Por vivermos neste mar de ignomínia,
Por nos mostrarmos, por vezes, tão
Cegos,
Hipócritas,
Hedonistas,
Insensíveis…
Pobres de nós:, coitados!
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Da série: fragmentos de minha vida