A profissão mais antiga do mundo me incomoda, por vezes sou tentada a desviar o olhar, pois não suporto ver mulheres em tal situação.
O sofrimento alheio me choca e me toca, se for de uma mulher então é-me quase insuportável: poderia ser minha irmã, minha sobrinha, minha mãe, minhas amigas ou eu mesma. De mãos atadas resolvi escrever, apenas como forma de aliviar o peso em meu coração. Eis:
Ó minhas putas tristes!
Roubaram teus sonhos de moça,
Tornaram-te ‘dama-da-noite’,
Príncipes, não mais!
Só cafetões,
Seres monstruosos travestidos de normais,
São eles teus amantes, teus algozes
Ó minhas putas!
Tão tristes!
Não mais sonhas,
Não mais quer,
Em tuas camas não encontram Morfeu,
Só súcubos, que te amaldiçoam!
Ó minhas putas tristes!
Meu coração de mulher adoece,
De ver irmã de sexo nesta condição tão doída,
Tiraram teus véus,
Te mandaram despir-se
Sem cerimônias, sem esponsais, sem pudor, sem amor,
Ó minhas putas!
Tão tristes!
Violaram não só teu corpo,
Mas tua alma,
Abriram chagas que não se fecham,
E caindo as roupas, caíram também
Não mais sorrisos, só ‘adeuses’ aos versos,
Ó minhas putas tristes!
Não tivestes companheiros,
Quando o corpo despido
Se entrega por trocos,
Num ato não gratuito,
Então o afeto é morto!
Ó minhas putas!
Tão desoladas e tristes!
Meu coração de mulher
Faz-me envergonhar de minha ventura,
Enquanto outras filhas de Eva tenham tal destino,
Ó minhas putas,
Minhas putas tão tristes!
Só faço lamentar,
Com o tempo esquecer,
De ter visto tal sofrimento,
Nos olhos de uma que poderia ser minha amiga,
Num último suspiro, me ponho a rezar:
“Se existe um Deus,
que ele se lembre de ti,
que te dê melhor sorte,
e que em seu leito de morte,
Possa você O perdoar.”

Rev. Peterson Cekemp disse,
Maio 3, 2008 às 2:31 am
Possa você O perdoar.”
Será que poderá?
É realmente um negócio triste. Minha mãe disse uma vez que já viu uma com uma placa escrito “1,99″. Não que o valor altere a dimensão da, digamos, “ruimdade” da coisa, mas que é terrível pensar que a coisa chega a esse ponto. É degradante.