Amor: teria sido capturado, afinal, o conceito?

Amor, captura do conceito. 

“Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos
Sejam sempre agrestes e escarpados;

E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,

Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos,
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que ele contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa poda.

E, da mesma forma que ele sobe à vossa altura,
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra.
Com feixes de trigo,
Ele vos aperta junto ao seu coração.

Ele vos debulha para expor a vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.

Então, ele vos leva ao fogo sagrado
E vos transforma no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor
E o gozo do amor,

Então seria melhor para vós
Que cobrísseis vossa nudez,
Que abandonásseis a eira do amor.

Para entrar no mundo sem estações,
Onde rireis
(mas não todos os vossos risos),

E chorareis
(mas não todas as vossas lágrimas),
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui e não se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.

Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
 
Mas que diga antes:
“Eu estou no coração de Deus”.

E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor,
Se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.

O amor não tem outro desejo,
Senão o de atingir a sua plenitude.

Se, contudo,
Amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes vossos desejos:

De vos dilurides no amor,
De serdes como um riacho,
Que canta sua melodia para a noite;

De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos,
Por vossa própria compreensão do amor,

E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;

De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança”.

by Gibran Khalil, in “O profeta”

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Da série: Pensamentos soltos 

2 Comentários

  1. janeiro 16, 2008 às 11:32 am

    Alívios Contantes em Mi Maior (uma outra forma de cantar, te amo!)

    Ventilavam folhas, quando anda pelas ruas e as cobrava por que me surprendiam, por ser um eterno buscador!

    E vendo tantas coisas, formei por aquelas linhas sinuosas, um caminho
    que trouxesse exclamações!

    Embebecido de suspiros, e depois de ter andado tantos quilometros,
    sentia estava no fundo sendo um amador!

    Os ritmos, os riscos, uma mescla de andarilhar pelas estações que caminham uma após outra, desejando explicações!

    E se bate feliz o meu coração, choras por que nem as vezes posso te seguir em tempos tão carinhosos de quem quer te compor!

    Se me matas de paixão, sobrevivo pelos galardões que me destes na sinceridade dos lábios e das exaltações!

    Se foges, acredito que seja isso que me faz um buscador, incrédulo de algumas coisas, e até de um simples calor!

    Se me devoras, a minha felicidade não consiste apenas na dor, mas como as dores emocionais, ficam agora sem razões!

    Ventilavam folhas, e me acompanha um outono, que por vezes ao despencarem dos arvoredos, presencio o esplendor!

    E vendo tantas coisas, os registros são inevitáveis, passo a passo, acelerado ou não se encaminham às empolgações!

    Embebecido de suspiros, respiro no nossos climas, a pretensão de ser o único, um bárbaro conquistador!

    Os ritmos, os riscos, caminham juntos; um agindo pela emoção, outro pela razão? Ficariam separados pelas situações?

    E se bate feliz o meu coração, é por que a dor é um mero cisco, que quando lábios dizem: fffffffff! some, e traz um alívio incrível de AMOR!

    (Jan: 16, 2008)

    _
    gostaria que Gibran fosse meu mediador nesse instante, e pudesse traduzir que a dor não é a dor que entendemos, mas com uma conotação de que a dor perde sua conotação quando a entendemos.
    Quando não podemos entendê-la, sofremos!

    Seria isto, musa?


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