Palavras

“…Uma salva de tiros de canhão
pela saúde da Palavra, pois só ela,
empregada com rigor e exaustão, implodirá
o peito majestoso da miséria,
a usina do saber e seus sacros algozes
que nos encarceram nas prisões
dessas formulações mentais atrozes,
que desviam a vida de seu êxtase
para uma utilitária e estéril equação.

Quem mais celebrará a morte
desses ideólogos bovinos, pastadores
de nossas consciências, ruminantes que
nos distanciam do riso, da esperança
tecelã da alegria e bailarina?

Saúde à palavra e seu poder,
que nos adestram em armas e nos levam
a combater nos ferais campos
da batalha rural e citadina.

Só ela nos deixa esquecer da interdição,
dos torpes hospitais, dos catres públicos,
onde o feto do homem dorme
com ogivas murmurando monossílabos.
Em sua honra, eu, poeta varonil,
vomito a ira pelas bordas
do abismo do Brasil”

by Erorci Santana, in ‘Maravilta e outros Cantares’

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Da série: releituras

2 Comentários

  1. prof gasparetto said,

    fevereiro 1, 2008 às 1:37 pm

    Bravíssimo!! Emocionante!
    como sempre!

    com a sua licença:

    Vale dos Ateus (um beijo platônico aconteceu!)

    Quer bela a cena se tornasse hoje
    O momento belo que te vi parir os anseios
    O fruto se vestindo de carne e osso
    Ante aos nossos olhos crus!

    Quão imagem pura e de fundamental sigilo
    Nem ventos, nem águas, nem terras, nem fogos,
    Contiveram minha paixão!

    Lutamos pelos nossos inquéritos
    Beijamo-nos à noite num completo presságio…
    Na metamorfose de sonhos e escudos!

    Baixam-se os portões, tentamos entrar;
    Contudo, venceremos provações que virão?
    Mas o presságio toma vulto, venta muito!
    Venta forte arrastando até uma rara pétala
    Debruçada na janela do teu quarto!

    Deveria eu ter combatido os dragões da ganância
    Com minha espada emotiva?
    Espadas, espadas! Para que tantas metáforas?
    Não!
    Fracassei mais uma vez,
    Mais uma vez fracassei,
    Tornando-se um bobo da corte,
    Ante a dezenas de atores!

    O dragão da estupidez estava lá…
    Olhando-me!
    Medindo-me, para um provável ataque!

    Retiro meu elmo, enxugo minhas lágrimas…
    Que lutavam em querer ver os teus olhos
    Minha amada!

    Calcei o gozo em meio a luta somente…

    Arde minh’alma,
    Sobre minha descrença!

    Preciso retirar-me destes vales,
    E beijar-te pelas vidraças!

    (Fev: 01, 2008)

    Felicidadez!

  2. agosto 19, 2010 às 12:45 pm

    Maravilhoso! Pena que só descobri agora, mas que bom conhecer gente que se sente assim a esse respeito. Nosso país anda muito carente de pessoas que valorizam a linguagem e, principalmente, o conhecimento.


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