A semana

 

strong-winds

Na madrugada de uma segunda,

Meu coração foi despedaçado;

Mordi os lábios para reter a lágrimas,

Foi em vão…

 

Elas vertiam de mim como se fosse uma cachoeira,

Mentiram-me: lágrimas não lavam almas,

Elas são como ácido que corroem o espírito…

 

Sonhei com um herói,

Um homem que pudesse amar,

Com quem sonhava todas as noites 

Com um sorriso nos lábios,

Os mesmos que mordi…

 

Descobri que não eras herói,

Então achei que eras bandido.

No fim, eras apenas um homem,

Com defeitos e qualidades…

 

No alvorecer da terça,

Desembarquei naquele porto,

Tão conhecido, tão estranho,

Lembrando-me do gosto amargo em minha boca,

Da miríade de dúvidas que pululavam minha mente,

Que pesavam em meu peito,

 

No entardecer da quarta,

Após avaliar todas as vitórias e derrotas de minha vida,

Senti-me qual soldado que torna a pátria,

E que descobre-se um paria,

 

Na quinta buscava descobrir,

Até que ponto poderia suportar os defeitos daquele homem,

Até que ponto poderia apostar no amadurecimento d’aquel menino,

 

Na sexta verti novas lágrimas

Pois, malgrado todos os esforços,

O êxito no decidir não chegou…

Continuo solitária neste caminho,

Continuo uma contadora que usa a teoria do utilitarismo,

Para descobrir se vale a pena….

 

Chove lá fora,

Venta e Ana Terra ocupa minha mente,

Posso ver pela janela a luz amarela dos postes iluminando as folhas das árvores

Tão bonito!

 

Enganei a todos,

Fingi que estava bem, maquiei-me, vesti o terninho,

Fui profissional, fui amiga, fui colega de trabalho,

Fui aluna, fui filha, fui madrinha,

O show tem de continuar.

 

Amanhã penso nisso….sábados geralmente são bons.

Jovem bardo: meu amigo

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Existem algumas pessoas que sáo únicas; existem algumas pessoas que são realmente especiais. Dentre estas, existe uma que, não obstante estar longe, é um dos melhores amigos que eu tenho. Pensar nele enternece meu coração. Tem ele uma longa caminhada a fazer; neste cenário feio, obscuro e fétido que o mundo tem se tornado; é ele um lufar de perfume que o vento traz; é ele uma flor solitária num jardim de ervas daninhas. Meu querido jovem bardo, eu realmente, adoro vc. Muito obrigada!

O homem do sótão

sotao

Há algo em meu sótão,

Não identifico o que é,

Mas ouço os ruídos…

Hora penso que são passos,

Hora imagino que são gemidos,

Não sei o que é,

Fico com um pouco de medo,

Serão assaltantes?

Serão fantasmas?

Ou serão apenas ratos?

Há algo em meu sótão,

Não identifico o que é,

Mas ouço os ruídos…

Fico de pé e trêmula, caminho;

Vou chegando perto,

O som estanca, desaparece

O que incomodaria o visitante,

Os meus passos?

São apenas passos,

Apenas caminho….

Vejo de lado meus sapatos;

Meu scarpim vermelho está roído,

Algo me chama a atenção,

Levanto a cabeça…é o ruído,

Os sons do sótão recomeçam…

Os fantasmas do passado me assombram,

Incomodam o presente, atormentam…

Ouço o farfalhar de anáguas, dançando…

Será só minha imaginação,

Ou o sótão é mesmo habitado?

Minhas pernas, bambas, me faltam

A confiança se esvai com o tremular das cortilhas,

Ouço vozes sussurrando…

Será minha imaginação, ou o sótão é mesmo habitado?

Há algo em meu sótão,

Não identifico o que é,

Mas ouço os ruídos…

Mágoas passadas ressurgem,

É o oriente sem especiarias,

E por ter vivido más experiências,

É que temo que se repitam elas no presente,

Já fui enganada, traída,

Feita de boba, magoada,

Meu fardo carreguei até o fim,

Não quero levá-los de novo nas costas…

Mas teus atos me confundem, confesso

E só pensar em novas mágoas, já sofro…

E do passado me lembro da dor,

Que se repetir no presente, não resisto…

Há algo em meu sótão,

Não identifico o que é,

Mas ouço os ruídos…

Estou ainda com medo,

Serão assaltantes?

Serão fantasmas?

Ou serão apenas ratos?