Uma parte de mim morre um pouco, todos os dias….

Estou mudando. Aos poucos, lentamente…mas estou. Não creio que para melhor; mais realista, menos sonhadora; mas não melhor. O mundo que eu desejava para mim mostrou-se ser inviável. Era um mndo bonito e ressinto-me de estar desistindo dele….

Liberdade e escolha

correntes

Inspirada no texto de minha amiga Cintia ‘Nas asas da borboleta

Liberdade,
Escolha….
Escolho…a liberdade?
Como, se alguns grilhões são tão doces?
Se sou como abelha, voejando em torno do doce contido nos grilhões?

Corremos todo dia em busca da felicidade,
Será que ela coexiste com a liberdade?

Pois vejo na felicidade, também grilhões;
quase tudo que me faz feliz, de certa forma também me prende:
a família, os amigos, o trabalho, os amores…

Tudo sempre faz com que não façamos o que nos dá na veneta,
estamos sempre colocando pesos na balança,
os contrapesos são muitos,
a liberdade é ter escolha….

Ainda assim,
Após pesar os termos,
esta escolha fica difícil….

Pois cada escolha equivale à uma renúncia,
E quem quer renunciar ao que quer que seja?

Não, queremos tudo,
tudinho,
em letras garrafais, nada miudinho….

Queremos a família, os amigos, os amores,
mas queremos liberdade completa,
queremos ter escolha…..

Podem elas coexistirem? A liberdade e a felicidade?
Creia no que quiser: é sua, a escolha.


Henry & June?

listradinho

Henry Müller não amava Anais Nïn,
Ou amava, mas uma espécie de amor tão-somente carnal;
Não era aquele amor,
Que sói mulheres sonham,
Que sói nós mulheres queremos,
Que só por ele ardemos,
Este, Henry sentia por June….

O amor contemplativo,
O amor emotivo,
O amor sonolento,
Modorrento,

À Anais restavam sobras,
Restava apenas….desejo,
Daqueles que não prescindem de beijos,

Que azar o da Anais,
Que sorte o da June,
Ou seria o inverso…?

Penso que o melhor seria,
Experimentar a soma dos dois:
O amor-emotivo,
O amor-desejo,
Tudo selado com vários beijos,

Vi no blog de duas meninas a imagem do post e me inspirei:
Quero um amor listadinho,
Mas quero também um amor que me dê calor,
Daquele que Maria Moura sentia por Cirino,

Quero um amor-perfeito,
Acho que disso, só terei a flor….
E se EU comprar, bien entendú!

‘Tem problema não….
o perfume dela, ficará em minhas mãos.

Último suspiro

Por primeiro:
Amei com relutância,
Venci a distância,
Agi com liderança….

Então:
Entreguei-me com doçura,
Entreguei-me com loucura,
Entreguei-me por inteiro,

Busquei construir pontes,
Que não foram atravessadas…
Construí estradas,
Que não foram rodadas…

Por azar:
A distância que busquei diminuir,
Buscava você aumentar,
Espaços vagos … preenchi,
Buscou você me impedir
[sabotagem?]

Por último:
Foi o último suspiro,
O último amor inacabado,
O último gozo,
De orvalho que molhava relva seca….

Foi o último acorde,
De instrumento refinado;
Na última orquestra,
Naquele teatro apresentada….

A última película,
Dum cinema já fechado;
O último beijo,
Duma amante apaixonada;
O último choro,
Dum coração dilacerado;
O último grito,
Duma tristeza enclausurada;
O último cheiro,
Dum perfume derramado;
O último néctar,
De flor outrora bela,
Agora murcha, morta!

A última carta devolvida,
Com carimbo:
Destinatário ausente/recusado;
O último blefe,
De jogadora inexperiente, falida…
O último sonho,
De noites agitadas,
O último bombom,
De caixa agora esvaziada;
A última valsa,
De dançarina extenuada;
O último frêmito,
Dum corpo quente/agoniado;

Último:
Como o cigarro de cigarreira esvaziada…
Frevo, de quarta feira acizentada….
Natal: papai-noel aposentado!

Quis ser sua amante,
Amada, amiga….

Mas você não está pronto,
Não se entrega:
Por não querer,
Por não poder,
Por estar desmotivado!

Se paixão/amor não te motiva,
Que força poderia?

Ou não me tens amor
[apesar de assim chamar-me]
Ou o amor não te fascina….

Quaisquer que sejam as respostas,
Não posso eu mais aguardá-las:
Não tenho tempo,
Pois todo o tempo,
Pode ser o último….
Último grão de areia a escorrer,
Numa ampulheta já usada!

by me

As grandes navegações de Crystal

Crystal era uma garota bem legal, não era lá uma Vênus, mas até que tinha seus atrativos, além de um bom nível de inteligência e enorme simpatia.

Uma das características mais notáveis de sua personalidade era sua capacidade de fazer amigos e entregar-se ao afeto advindo de suas relações inter-pessoais.

Ela costumava navegar por certos mares, numa dessas navegações um outro barco no dela se esbarrou e ela fez o que então pensava ser uma nova amizade. E dedicou à capitã de tal barco sincera e desinteressado afeto.

Mais tarde, em suas navegações, um certo capitão resolveu abalroar o barco dela e ela achou ter ganho um novo amigo, até que a amizade se tornou algo mais…

Confiante e feliz, os barcos dela e do capitão navegavam juntos, até que Crystal resolveu apresentar ao capitão o mar em que navegava o barco da outra capitã, sua amiga, sem, no entanto, dizer à amiga que referido capitão era seu companheiro de navegação.

Então certa feita, Crystal viu os rastros que o navio da capitã encaminhavam-se para os mares e portos onde ancoravam o navio do seu capitão. Apesar da forte intuição, que dizia a ela que tais rastros tinham certo significado, Crystal achou que tratava-se de mera coincidência (forte, mas coincidência).

Mas então nos céus se formaram nuvens que prenunciavam tempestades, e os sinais estavam cada vez mais fortes. Crystal então resolveu comentar com a capitã sua amiga, que estava namorado o capitão. Estranha foi a resposta da capitã, estranha sensação se apossou do coração de Crystal.

Os indícios se acirravam; tempestade instalada, Crystal resolveu jogar verde, pois precisava saber, não podia mais ignorar. A capitã (até então considerada uma amiga), resolveu evitar os mares por onde Crystal navegava. E mais: resolveu ‘bater em retirada’ cada vez que o navio dela apontava no horizonte.

Crystal então, com coração apertado, magoado e triste, percebeu que era forte a possibilidade de ter perdido duplamente. Apesar de saber que perdas fazem parte da vida e que somente elas são capazes de fazer-nos valorizar os pequeninos ganhos, está ela aturdida.

Consultando um amigo, jovem contador de histórias, ele a fez ver que tudo pode não passar de coincidências, e os indícios serem explicáveis individualmente. Mas ainda assim dói e Crystal, apesar de delicada, não é fraca.

Simplesmente é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado e a vida é uma sucessão de boas e más experiências. Se o acaso tiver juntado dois navios que lhe eram caros, ela só quer saber que isso ocorreu, só não deseja continuar a viver deste modo, pois a incerteza é bichinho cruel que corrói por dentro.

Crystal está prestes a mudar de mares, apareceu uma oportunidade dela usar seu barco para comércio que lhe rendam lucros mais vultosos. Nessas novas terras existem outros barcos, outros capitães, outros amigos. Crystal está confiante que, mesmo estando triste no momento, o futuro lhe reserva maiores sabores, maiores alegrias.

Qual será o final da história de Crystal?

:::::::
É apenas o esboço de uma novela, logo, não esperem lá muita coisa.

Eu já….

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram… Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que vou dizer:
– E daí? EU ADORO VOAR!

by Clarice Lispector

<esse é procê, Aline!…e prá mim também! Acho que ambas fomos retratadas)

Ampulhetas

Recebendo a visita de: Sociedadez Sonz Anciedadez

 

I

Há muito tempo, tudo o que quis for ser beijada,

E ainda quero…

<beijos intermináveis, até que os lábios mudem de cor>

Mas só meus lábios não produzem beijos,

Homens vivem,

Mulheres planejam?

 

Há muito tempo, havia em mim ingenuidade,

Era então só ‘sorrisos’,

<pergunte às flores do caminho>

Mas minha fé ingênua foi cruelmente morta,

Derramei rios de lágrimas,

Cravei minhas unhas nas palmas das mãos,

E nisso fiquei absorta,

 

Socorri-me de força de vontade,

De auto-domínio para poder suplantar

Para poder suportar,

Para poder vencer

 

Mas isso foi há muito tempo….

 

II

Todos os dias preciso de afeto,

Minha natureza delicada assim o exige,

Insinuaram que era doente,

Insinuaram que ‘precisava de ajuda’

Meus presentes, frutos de meu coração,

Foram tidos como moeda de escambo,

Transformaram-me em mera mercadora,

Trataram-me como mera mercadoria!

 

Imputaram-me vilania,

Mas isso,

Foi há tanto tempo!

 

III

Dói-me saber que fiz

Juras de amor tão sinceras,

Juras de amor pouco austeras…

Amei e, querendo ser amada,

Fui SÓ desejada…

Homens desejam,

Mulheres amam.

 

Há muito tempo,

Havia inspiração,

Enternecia-me com a música,

E, até mesmo….com a cor do céu!

Mas isso,

Isso foi há muito, muito tempo!

 

 

IV

Em dado momento perdi a fé,

Perdi esperança,

Morri um pouco….

Cartas voltaram, com carimbos:

– Ausente,

– Recusado,

-Morto

Então morri um pouco….

 

Se buscasse apenas a satisfação da carne,

Encontraria em qualquer esquina,

Em qualquer rosto….

Homens desejam amantes,

Mulheres desejam Amados!

 

Quanto tempo faz?

Faz tempo demais!?

 

 

By me

Da busca infrutífera, da dor da procura

Visitando um amigo lembrei de certa ocasião em que um poema dele recordou-me aspecto de minha vida pessoal. Na ocasião ofertei um comentário em forma ‘poesia’ (piada, não sou boa com as palavras!). Isso ocorreu em março p.p. Desde então minha vida mudou. Algo em mim morreu (um amor insatisfeito), algo em mim nasceu (a esperança), algo em mim permanece em dúvida: será real a mudança? Enfim….continuo vivendo, caminhando.

I

Minhas cartas foram escritas, mas não postadas,
Temo a resposta do destinatário,

Meus verões tornaram-se invernos,
Tão triste é minha solidão,

Está meu coração para sempre marcado,
Marcas não comerciais, marcas estranhas, ininteligíveis e indeléveis.

Não há mais púlpito,
Não há mais público,
Não há mais a quem converter!

Meus armários….vazios!
Estou nua, desnudastes minh’alma…

Equinócios se seguiram sem teu retorno,
não vejo flores, não vejo folhas, não vejo sol, só invernos!

Gastei minha fortuna, meu soldo,
à tua procura….
Milhares de guinéus se foram em recompensas,
nenhuma resposta que me indicasse o caminho!

Orei à Deus,
Aos santos, às virgens,
pedi à dinvidades, deidades.
Nenhuma resposta….chorei, desisti!

II
Longe da bainha.
Abandonastes a peleja.
Foi ela sussurrada, ficou agora sem sentido.
Está ela arada, à espera do semeador

Roma tem vários caminhos,
A estante só tem dois livros.
Doces grilhões as prenderam,
à distância, contemplando…

III
Presos na garganta.
Fechadas neste inverno.

que louca ciranda!

IV
Vide supra: eis tuas respostas.
Enviei cartas (2)
sem obter respostas!

V
Venha a mim que te curo,
Chegue aqui que te amo,
Volte a mim que te ressuscito,
Pouse em mim que te cuido!

O navegante encontrou a ilha,
seduziu a índia,
tomou a terra,
fez nela sua morada,

depois foi ele seduzido por nova estrada,
abandonou o que tinha, apostou o que não podia,
perdeu tudo numa jogatina, numa mão do carteado!

VI
flutuando ao vento, à procura de teu olfato,
vislumbrando o horizonte, em busca de certa embarcação,
chagas abertas no peito, a dilacerar um pobre coração atormentado!
Onde estão os hilários ciúmes?
A terra não navega, desconhece os mares!

VII
Palavras emprestadas:
Estar junto não é estar ao lado,
É estar do lado de dentro.

by me

Não esqueço, porém, determinado Teorema.

Ohhhhhh…terei ficado ‘esperta’?  😉

Correioooooooo!!!!

Lendo: Recanto das Palavras ‘Ainda te escrevo’

Escrevemos por não esquercemos,
não esquecemos o querer,
não esquecemos o gostar,

Mas as cartas, teimosas,
tendem a voltar,
quando voltam, entristecem,
Carimbos dos correios:
– Recusado,
– Destinatário ausente,
– Destinatário morto!

Então morremos juntos,
um pouco….

Tendemos a sofrer,
a não aceitar
Que morte é bem-vista?
Que morte é bem-quista?

E, quando a dor fica quase insuportável,
por vezes recebemos presentes…
Recebemos recados,
Recebemos cartas,
de remetentes desconhecidos.

Então, respondemos,
entre temerosos e curiosos,
entre deliciados e desconfiados…

Então o curso do amor continua,
num eterno ciclo de amar-sofrer,
sofrer-amar, perder-ganhar….

E os correios continuam tendo serventia!

Ouvindo:

Roma

 Via Ápia, um dos caminhos de Roma

Visitando: Decassílabo inconseqüente de sentir

I – Ab initio

Fui à Roma te buscar,

Não te achei

Todas estradas percorri,

Que meus pés machuquei!

A modorra me tomou,

Descansei

E à sombra duma árvore,

Meditei

É um fantasma que eu busco?

<perguntei>

Sob o crepúsculo em que estava,

Gritei:

“Onde estás, meu amado?”

<matutei>

A lisura de teu intento,

Contestei:

Me cortejas; me abandonas,

Bem o sei,

II – In meso

Percorrendo desfiladeiros,

Descobri teu paradeiro:

Sob Pinhais tu te escondes!

À meus chamados, não respondes!

< ne verbum quidem >

Mas o sol nasce e se põe,

Sob meus domínios,

Enquanto amada, sou doce,

Se desprezada: açoites!

Em breve meus criados,

Obrigarão-te a apresentar-te

Clamarás misericórdia,

Eventual indulto?

No tempo certo, decidirei!

III – In finitu

O salário da desídia é a morte,

Melhor que queiras tu ficar a meu lado!

Ad summam:

Per dolum: me deixastes,

Per litteras: te chamei,

Per contra: caminhastes,

Per lundum: ameacei,

Per semper: te quererei,

Per tempus: te terei!

by me

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