Valores pessoais

Luar

Caro leitor, se você espera uma notícia jurídica, com aqueles pífios excelentes comentários; ou uma análise de um livro qualquer, melhor parar por aqui. Esta postagem é pessoal…..

Estava lendo o livro ‘Vícios não são crimes’, de Lysander Spooner e não pude deixar de pensar em alguns aspectos de minha vida, repensando o que, na verdade, para mim e para as outras pessoas, são os ‘valores’?

Semestre passado liderei um grupo de estudos (cuja freqüência dos alunos valia como curso extracurricular para composição das horas obrigatórias de atividades complementares, enquanto para mim valia atividade de ‘monitoria’, relativo à estágio obrigatório). Por conta de uma confusão acadêmica, os comprovantes de freqüência não foram entregues nos períodos determinados.

Isso causou aos alunos o inconveniente de terem de se rematricularem na disciplina (atividades complementares) e, apresentarem ditos comprovantes. O incômodo parava por aí: inocorreram quaisquer prejuízos financeiros ou afins.
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Raphael e a praia

Uma visita e homenagem à Dai

Eu, ainda menina, levava os garotos da vizinhança para uma casa abandonada na minha rua. Eu era a professora e hoje, com muito orgulho, devo admitir que muitos experimentaram sexo pela primeira vez com essa aqui, que vos narra. Mas Raphael – por que com ph não sei. Parece alfabeto dos meus tempos. O Raphael era muito bonito e suas sungas…

E eu ficava sempre a olhar.
Apesar de ter 69 (sem piadinhas, por favor! Respeitem minhas rugas), o tempo me foi condescendente e, o amigo do Pitangui deu uma ajudazinha (meu bolso que o diga!), de forma que, mesmo velha, na gíria de hoje ‘ainda dou um caldo’.

Não que eu arrisque andar pelas praias de fio-dental (tenho ainda ‘sitocômetro’), mas um maiô preto-básico me cai bem.

Rafaelzito (ah, menino!) sempre passeia por Ipanema, de forma que resolvi ‘aquelas bandas assuntar’. As moçoilas de hoje em dia são muito tolas! Homens se conquistam pela cabeça (não propriamente a que enfeita os ombros) e pelo paladar!

Sabendo isso (a idade traz, ao menos, experiência), fui antes ao mercado e abasteci-me do melhor, para preparar o melhor da culinária rápida. Rapazes fortes precisam se alimentar 😉
Preparei, acondicionei e levei comigo para a praia. Sentei-me perto do quiosque, embaixo de um guarda-sol gigantesco.

Quando vi o rapazote passando, fingi-me desconhecê-lo, até que a educação do moço (aliada à fome que sentia), tal qual uma queda de braço, venceu-o e ele me cumprimentou:

– Olá, dona fulana…..

Inteligentemente, respondi, toda educada:

– Olá…dispenso o ‘dona’…quer se sentar?

E ele agradeceu. Claaaro que ofereci o alimento suculento, tencionando que ele desejasse, mais tarde, alimentar-se de outro modo:

– Quer um lanchinho, querido?

Ele, faminto, aceitou:

– Noooosssa! É o melhor lanche que comi em minha vida!

– Ah, isso não é nada, bondade sua!
[como sou dissimulada – até mesmo eu me surpreendi com a ‘jogada’ ?!?!?!]

Conversa vai, conversa vem…fingi profundo interesse com o esporte que ele praticava (surfe….coisa chata!) e ele se surpreendeu com a clareza e interesse que minhas palavras revelavam.

A tarde caiu, ele foi ao mar. Aproveitei e deitei-me de bruços, pois a paixão nacional ainda é a bunda! (salvo grande engano).

Quando voltou, percebi uma olhada de esguela, mas fingi-me de morta (tal qual o abutre, que quer alimentar-se do coveiro).

A noite estava chegando, quando nos despedimos (ah, não reclame! Claro que não foi de primeira! Todo projeto demanda tempo para ser consumado)

No próximo final de semana, repeti a dose. Repeti o interesse, repeti o jogo de sedução.

Aos poucos os olhares ávidos se tornaram mais constantes. E eu com olhar distante, fingindo nada perceber.

– Olha, a senhora me desculpe, mas a senhora ta bem bonitona!

– Imagine, mocinho…..deixe o ‘senhora para lá’.
[hahahahahahaha]

No próximo final de semana, novo ataque. Minha vontade de ferro venceria a pouca tenacidade adolescente.

Então pedi ao menino Rafael (um anjo!) que passasse bronzeador nas minhas costas. Ao que ele atendeu (bom moço!). Ofereci-me para fazer o mesmo, alegando que surfistas, por estarem expostos ao sol, precisavam de maior proteção. Ele aceitou e eu aproveitei!

Dois meses se passaram, neste ‘passa-passa’, até que minhas mãos tornaram-se mais ousadas (juro que contra minha vontade!). E, hora tocavam de leve, hora tocavam forte….deixando transparecer como seriam os demais toques.

O corpo jovem, ávido…não demorou a responder (senti-me tão lisonjeada, que fiquei enrubescida). Mas…vou até o fim nesta parada!

Então começamos a nos encontrar mais cedo, para ele poder me ajudar com o cesto de lanches: nos encontrávamos no elevador, até que um dia, ele estava lotado.

Ele me ‘se encaixou’, dando-me uma ‘encoxada’, e eu empinei o que ainda restava das elevações do glúteo. E ele gostou.

Fomos à praia, mais ‘passa-passa’, mais elogios à minha formosura (me engana, que eu gosto!).

Fim de praia, chegamos a uma construção. Fingi que ouvia um barulho e disse que era melhor que investigássemos (alguém poderia precisar de socorro)….

[Dai, minha querida, conceder-me-ia a honra de – com seu talento – continuar a estória?]

Canção do Berço

 “Trilhos” - foto de Ana Paula Paiva

O amor não tem importância.
No tempo de você, criança,
uma simples gota de óleo
povoará o mundo por inoculação,
e o espasmo
(longo demais para ser feliz)
não mais dissolverá as nossas carnes.

Mas também a carne não tem importância.
E doer, gozar, o próprio cântico afinal é indiferente.
Quinhentos mil chineses mortos, trezentos corpos de namorados sobre a via férrea
e o trem que passa, como um discurso, irreparável:
tudo acontece, menina,
e não é importante, menina,
e nada fica nos teus olhos.

Também a vida é sem importância.
Os homens não me repetem
nem me prolongo até eles.
A vida é tênue, tênue.
O grito mais alto ainda é suspiro,
os oceanos, calaram-se há muito.
Em tua boca, menina,
ficou o gosto do leite?
ficará o gosto do álcool?

Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
civil, e mais nada, será o amor
dos indivíduos perdidos na massa
e só uma estrela
guardará o reflexo
do mundo esvaído
(aliás, sem importância)

by Carlos Drummond Andrade

Cantando (para) a Lua

Lua de São Jorge 

Visitando: Recanto das Palavras 

♫♪♫

Lua bonita, se tu não fosse casada,
preparava uma escada para no céu te buscar,
e se calhasse o meu frio com teu calor,
pedia a Nosso Senhor para contigo casar.

Lua bonita, me causa aborrecimento,
vêr São Jorge num “jumento”,
pisando teu coração,

Por que casastes com um homem tão sisudo,
que come, dorme, faz tudo…dentro do teu coração!? ♪
♫♪♫

by cantiga popular brasileira
(raízes africanas)

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Da série: pensamentos soltos