Um amor perfeito; do futuro mais que perfeito do subjuntivo…

Durante toda minha vida buscava um amor perfeito,
Andava,
Corria,
Chorava….

Ranger dos dentes,
era o que mais se ouvia,

Durante todo este tempo eu vagava….
Então, aparatos eletrônicos me encontraram,
E por meio deles encontrei alguém,
Que me trouxe você….

Duas microcélulas se encontraram,
então vieram quarenta semanas de espera,
Uma dor lacerante atingiu meu ventre,
Numa sexta-feira 13 que podia ser fatídica,

Fato é que as dores vieram,
Machucaram, feriram, revoltaram…
A ponto d’eu achar que não valia a pena.

O que veio depois da sexta?
O sábado e nele você surgiu em minha vida;
Uma coisinha pequena e frágil,
Bela e enrugada…

Sentimentos confusos tomaram meu peito,
Uma brisa suave tocou meu rosto,
Seu nome surgiu em meio à confusão:
Beatrice Adele,
Nascida de boa família,
Para me trazer alegrias.

O quanto te amo?
Não me é possível mensurar;
O quanto te quero?
Não me permito falar.

Penso o tempo todo em você,
Preocupo-me o tempo todo contigo:
Sua fragilidade me toca,
Seu sorriso me rende,
Seu toque me enleva…

Ah, minha menina!
Nunca pensei que encontraria um amor assim,
completo, perfeito, sincero.

Eu te amo:
Inexplicavelmente,
Inabalavelmente,
Desesperadamente.

Que a terra lhe seja leve….

porta-casquinha-g

Foram 1.460 dias,

4 anos em que amei sozinha!

Te apoiei em tudo o que fazias,

Te desejei, dia-a-dia…

Dedicação assim, não se encontra em qualquer esquina!

E ainda assim, tu me traía

Pela Internet, que seja…

Mas traía!

– ‘Bobagem’….você dizia…

Ah…! Eu havia esquecido!

Havia esquecido o amor que senti

E como ele foi substituído ante à tua infidelidade.

A dor fina

Que qual faca, dilacerou meu coração,

Havia deixado no passado

Abandonei-te, reconstruí minha vida…

E enfim te esqueci!

Seu telefonema mudou tudo isso:

Voz conhecida, fez meu rosto empalidecer

Cúmulos-nimbos se formaram

No céu outrora ensolarado.

Todo meu ser está em revolta

Revolvo meu âmago numa angústia sem par!

Com o estômago revirado

Sinto ânsia, tristeza e pesar!

Solto um impropério

Que revela meu asco.

Num esgar de desprezo,

Relembro teu rosto.

Renato Russo queria a espada,

Menos romântica,

Queria um revólver

Mas fantasmas não morrem,

Você continuaria a respirar…

Queria rasgar as folhas

Deste livro antigo,

Queimá-o numa grande fogueira inquisidora

Eu tenho um indulto!

[grito]

tu não podes mais me alcançar!

Estou agora feliz em outros braços

Tua imagem só me traz temores,

Não que você signifique algo,

Mas temo reviver situação análoga!

[abanando os braços para espantar maus pensamentos,

fazendo figa para afastar maus presságios]

Tua presença não é bem-vinda

– Toc, toc! (batem à porta)

…..Silêncio….

SAIA DA MINHA VIDA!

Último suspiro

Por primeiro:
Amei com relutância,
Venci a distância,
Agi com liderança….

Então:
Entreguei-me com doçura,
Entreguei-me com loucura,
Entreguei-me por inteiro,

Busquei construir pontes,
Que não foram atravessadas…
Construí estradas,
Que não foram rodadas…

Por azar:
A distância que busquei diminuir,
Buscava você aumentar,
Espaços vagos … preenchi,
Buscou você me impedir
[sabotagem?]

Por último:
Foi o último suspiro,
O último amor inacabado,
O último gozo,
De orvalho que molhava relva seca….

Foi o último acorde,
De instrumento refinado;
Na última orquestra,
Naquele teatro apresentada….

A última película,
Dum cinema já fechado;
O último beijo,
Duma amante apaixonada;
O último choro,
Dum coração dilacerado;
O último grito,
Duma tristeza enclausurada;
O último cheiro,
Dum perfume derramado;
O último néctar,
De flor outrora bela,
Agora murcha, morta!

A última carta devolvida,
Com carimbo:
Destinatário ausente/recusado;
O último blefe,
De jogadora inexperiente, falida…
O último sonho,
De noites agitadas,
O último bombom,
De caixa agora esvaziada;
A última valsa,
De dançarina extenuada;
O último frêmito,
Dum corpo quente/agoniado;

Último:
Como o cigarro de cigarreira esvaziada…
Frevo, de quarta feira acizentada….
Natal: papai-noel aposentado!

Quis ser sua amante,
Amada, amiga….

Mas você não está pronto,
Não se entrega:
Por não querer,
Por não poder,
Por estar desmotivado!

Se paixão/amor não te motiva,
Que força poderia?

Ou não me tens amor
[apesar de assim chamar-me]
Ou o amor não te fascina….

Quaisquer que sejam as respostas,
Não posso eu mais aguardá-las:
Não tenho tempo,
Pois todo o tempo,
Pode ser o último….
Último grão de areia a escorrer,
Numa ampulheta já usada!

by me

Ampulhetas

Recebendo a visita de: Sociedadez Sonz Anciedadez

 

I

Há muito tempo, tudo o que quis for ser beijada,

E ainda quero…

<beijos intermináveis, até que os lábios mudem de cor>

Mas só meus lábios não produzem beijos,

Homens vivem,

Mulheres planejam?

 

Há muito tempo, havia em mim ingenuidade,

Era então só ‘sorrisos’,

<pergunte às flores do caminho>

Mas minha fé ingênua foi cruelmente morta,

Derramei rios de lágrimas,

Cravei minhas unhas nas palmas das mãos,

E nisso fiquei absorta,

 

Socorri-me de força de vontade,

De auto-domínio para poder suplantar

Para poder suportar,

Para poder vencer

 

Mas isso foi há muito tempo….

 

II

Todos os dias preciso de afeto,

Minha natureza delicada assim o exige,

Insinuaram que era doente,

Insinuaram que ‘precisava de ajuda’

Meus presentes, frutos de meu coração,

Foram tidos como moeda de escambo,

Transformaram-me em mera mercadora,

Trataram-me como mera mercadoria!

 

Imputaram-me vilania,

Mas isso,

Foi há tanto tempo!

 

III

Dói-me saber que fiz

Juras de amor tão sinceras,

Juras de amor pouco austeras…

Amei e, querendo ser amada,

Fui SÓ desejada…

Homens desejam,

Mulheres amam.

 

Há muito tempo,

Havia inspiração,

Enternecia-me com a música,

E, até mesmo….com a cor do céu!

Mas isso,

Isso foi há muito, muito tempo!

 

 

IV

Em dado momento perdi a fé,

Perdi esperança,

Morri um pouco….

Cartas voltaram, com carimbos:

– Ausente,

– Recusado,

-Morto

Então morri um pouco….

 

Se buscasse apenas a satisfação da carne,

Encontraria em qualquer esquina,

Em qualquer rosto….

Homens desejam amantes,

Mulheres desejam Amados!

 

Quanto tempo faz?

Faz tempo demais!?

 

 

By me

Solidão no dia dos namorados…pufff

Vi o texto abaixo no blog do amigo-blogueiro Tera.
Ao ler, lembrei-me das expressões tristes de alguns colegas de trabalho e os das pessoas na rua.

Tanta gente só, querendo ser amado!
Mas o que então impediria o encontro?

Talvez as pessoas estejam tão cauterizadas pela dor, tão tomadas pelo medo que se sintam incapazes de mostrar quem realmente são ou o que lhes vai no coração.

É tão fácil despir o corpo, tão difícil despir a alma, retirar as máscaras e mostrar quem realmente somos!

É tão difícil crer na verdade daquele que confessa sincero sentimento, pois somos o tempo todo enganados por outros, que em suas vilanias abusam da fragilidade emocional alheia!

É tão triste que um dia criado para ser alegre (será? Ou será apenas para fins comerciais?) seja tão deveras doído para tantos!

Bueno, é o que penso neste momento. Digo neste momento por dar-me o direito de mudar de idéia.
Eis o texto, faça teu julgamento:

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Solidão que assola um coração

Hoje sinto a solidão mais gelada que já esmagou meu coração.
Parece que há toneladas sobre o meu peito, impedindo-me de respirar e sufocando a pulsação do meu sangue.
Está frio… úmido e escuro.

Estou cansada, esgotada e sem perspectiva adiante.
É nojento e doentio… Há sempre milhares de pessoas ao redor, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos.

Conversas, bate-papo, passatempo, flerte, reflexão…
tudo junto, tudo um pouco, tudo muito, ao mesmo tempo, separado…
É sempre cheio de vozes por perto.
As pessoas olham e veêm uma mulher inteligente, bonita, independente, segura, extrovertida, carinhosa, fiel, dedicada…

Mas não há uma única alma que enxergue a solidão.
Um único coração capaz de acabar com esse vazio.
Chega de pessoas reclamando de seus dissabores amorosos incapazes de dar uma nova chance quando a oportunidade se apresenta.

Basta àqueles que acreditam que não existam mais pessoas interessantes o suficiente à sua altura.
Fim àqueles que não acreditam mais.
Que o pó coma os que covardes a ponto de não investirem, de não se entregarem ao calor de um beijo.

Desejo o tempo, sim…
nada mais impiedoso que ele…
para aqueles que não conseguem deixar que as coisas aconteçam naturalmente, aqueles que querem colocar o amor num cronograma.

Relacionamentos, sentimentos não são projetos.
Por que tentar prever o amanhã?
Quero pessoas maduras, seguras, corajosas e honestas o suficiente para se arriscarem a conhecer alguém.

Pessoas que estejam dispostas a sair e dedicar um tempo às outras pessoas.
Movidas pelo incontrolável desejo de sentir o sangue pulsando em suas veias.
Mantidas pela entrega à emoção do momento.

Não estou dizendo “aproveite e saia com todos”,
não estou dizendo aproveite o “ficar cada dia com alguém diferente”.
Muito pelo contrário, estou dizendo “arrisque-se a realmente estar com alguém”.

Sinta a intensidade do contato com uma outra pele.
Quero pessoas que ousem dizer o que pensam e sentem de verdade.
Quero pessoas que possam se envolver aos poucos, que possam se entregar e se deixar deslumbrar pelas diferenças,
Que queiram se sentir novamente encantadas,
Que consigam dizer que gostaram, que possam falar “mais uma vez”,
Que estejam totalmente à vontade e ao mesmo tempo conscientes de que podem dizer “então, quando é que vamos nos ver de novo”

Sabendo que esse carinho demonstra uma atitude sincera e corajosa, mas que isso não significa um compromisso.
Pessoas maduras, relacionamentos sinceros e jogo limpo…
ou, por que não chegar ao “sem jogo”?

Por que não alcançar o apaixonar-se naturalmente?
Da única maneira que isso pode acontecer como uma mágica sem explicação…
que você nem viu acontecer, mas que te faz sorrir.

By Daiany Gomes (aliás, meus parabéns!)

Da busca infrutífera, da dor da procura

Visitando um amigo lembrei de certa ocasião em que um poema dele recordou-me aspecto de minha vida pessoal. Na ocasião ofertei um comentário em forma ‘poesia’ (piada, não sou boa com as palavras!). Isso ocorreu em março p.p. Desde então minha vida mudou. Algo em mim morreu (um amor insatisfeito), algo em mim nasceu (a esperança), algo em mim permanece em dúvida: será real a mudança? Enfim….continuo vivendo, caminhando.

I

Minhas cartas foram escritas, mas não postadas,
Temo a resposta do destinatário,

Meus verões tornaram-se invernos,
Tão triste é minha solidão,

Está meu coração para sempre marcado,
Marcas não comerciais, marcas estranhas, ininteligíveis e indeléveis.

Não há mais púlpito,
Não há mais público,
Não há mais a quem converter!

Meus armários….vazios!
Estou nua, desnudastes minh’alma…

Equinócios se seguiram sem teu retorno,
não vejo flores, não vejo folhas, não vejo sol, só invernos!

Gastei minha fortuna, meu soldo,
à tua procura….
Milhares de guinéus se foram em recompensas,
nenhuma resposta que me indicasse o caminho!

Orei à Deus,
Aos santos, às virgens,
pedi à dinvidades, deidades.
Nenhuma resposta….chorei, desisti!

II
Longe da bainha.
Abandonastes a peleja.
Foi ela sussurrada, ficou agora sem sentido.
Está ela arada, à espera do semeador

Roma tem vários caminhos,
A estante só tem dois livros.
Doces grilhões as prenderam,
à distância, contemplando…

III
Presos na garganta.
Fechadas neste inverno.

que louca ciranda!

IV
Vide supra: eis tuas respostas.
Enviei cartas (2)
sem obter respostas!

V
Venha a mim que te curo,
Chegue aqui que te amo,
Volte a mim que te ressuscito,
Pouse em mim que te cuido!

O navegante encontrou a ilha,
seduziu a índia,
tomou a terra,
fez nela sua morada,

depois foi ele seduzido por nova estrada,
abandonou o que tinha, apostou o que não podia,
perdeu tudo numa jogatina, numa mão do carteado!

VI
flutuando ao vento, à procura de teu olfato,
vislumbrando o horizonte, em busca de certa embarcação,
chagas abertas no peito, a dilacerar um pobre coração atormentado!
Onde estão os hilários ciúmes?
A terra não navega, desconhece os mares!

VII
Palavras emprestadas:
Estar junto não é estar ao lado,
É estar do lado de dentro.

by me

Não esqueço, porém, determinado Teorema.

Ohhhhhh…terei ficado ‘esperta’?  😉

Correioooooooo!!!!

Lendo: Recanto das Palavras ‘Ainda te escrevo’

Escrevemos por não esquercemos,
não esquecemos o querer,
não esquecemos o gostar,

Mas as cartas, teimosas,
tendem a voltar,
quando voltam, entristecem,
Carimbos dos correios:
– Recusado,
– Destinatário ausente,
– Destinatário morto!

Então morremos juntos,
um pouco….

Tendemos a sofrer,
a não aceitar
Que morte é bem-vista?
Que morte é bem-quista?

E, quando a dor fica quase insuportável,
por vezes recebemos presentes…
Recebemos recados,
Recebemos cartas,
de remetentes desconhecidos.

Então, respondemos,
entre temerosos e curiosos,
entre deliciados e desconfiados…

Então o curso do amor continua,
num eterno ciclo de amar-sofrer,
sofrer-amar, perder-ganhar….

E os correios continuam tendo serventia!

Ouvindo:

Um (o) visitante, há muito, esperado?

Jovem mancebo chegou-se em meu reino,

Também ele, de terras distantes, vinha…

Contaram a mim, servos fiéis:

Exigia ele audiência com a Rainha,

Em minha majestade, ignorei quel’ ousadia,

 

Mensageiro do reino contou o motivo:

O mancebo era de um principado amigo,

Não podendo, ignorá-lo, recebi-o,

– Mal sabia o que isso me traria –

 

As audiências que tivemos, foram curtas,

Tratamos de assuntos relativos à senhoria,

Soberana, impus a ele distância,

Acrescentando, às que já havia,

 

Mas o jovem mancebo, além de belo,

Era mestre em galhardia,

E, de súbito, relevou o que sentia,

Aos críticos do reino, asseguro:

Ofertei a resistência que podia!

 

Renunciei à coroa,

À Majestade,

À fidalgia,

 

Entreguei-me qual plebéia,

Ao amor que presente se fazia…

Não mais reino, ele o faz…

Da opulência à miséria,

Do orgulho à humildade,

Tudo em prol do benfazejo,

Tudo por um beijo…

 

¿Serei eu, o que ele quer?

¿Será ele, o que eu queria?

 

by me

Teorema Vandré

Ontem recebi precioso presente,
de verdadeiro amigo.
Era algo cujo conhecimento me era necessário;
publico-o aqui neste espaço por entender que todos
deveriamos conhecer a ‘teoria’, copiá-la e guardá-la
no bolso: pois todos, ora ou outra, caíram, caem ou cairão
e tais armadilhas.

O Teorema Vandré

O objeto desta teoria são pessoas.
E existem os seguintes fatores envolvidos:

Fator 1 – Somos em tese únicos responsáveis por nossas decisões, certo?
Fator 2 – Algumas pessoas têm tendências a baixa auto-estima.
Fator 3) Não existe regra que diga que fulano ou beltrano tenha tendência a isso então
(atenção a essa parte) A PRIORI todos nós, seres humanos temos essa POSSIBILIDADE.
 
Junte tudo e temos o teorema Vandré
Pessoas escolhem o que querem da vida. Algumas têm baixa auto-estima e tendem a se escravizarem a algo que elas alegam que não podem viver sem. Isso acarreta que crápulas mal-intencionados usam tais pessoas em benefício próprio
Todos nós já nos sentimos pra baixo, sofremos por amor. Mas temos que distinguir o que é um sentimento puro e um entorpecente.
Qdo a pessoa precisa daquilo como uma droga
A PRIORI tal coisa pode acontecer com todos nós.
Temos que ter equilíbrio e saber dosar.
A PRIORI pode ser com você, comigo ou com qualquer um.
EM PRINCÍPIO, mas não como uma LEI definitiva.

O grande perigo de tudo isso reside num fato:
Se uma pessoa se escraviar à outra, esta outra a dominará.
Se esta outra perceber que a pessoa dominada será capaz de uma idiotice pra ficar com ela
(meu, meu, meu AHAHAHA, VC É MEEEEEEEU),
ela pode (dependendo de seu caráter) usar isso em proveito próprio.

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Este é o Teorema Vandré. Não pertence à nenhuma série. Está meio resumido pois não anotei nada e tive de rememorar (‘escrever de cabeça’), e minha mente não é fotográgica.

Publiquei por entender de relevância para todos.

Quem não precisa? Pobres somos, todos nós!

Pobres

Navegando em minha ‘tag surfer’ encontrei um precioso texto que me fez lembrar uma experiência pessoal. Por sugestão do autor, escrevo o presente post.

É ele uma resposta ao:

 Eis a resposta:

Passei a sexta-feira toda na folga (é, enforquei o trabalho) na casa de um casal de amigos.

A conversa estava tão boa que quando nos demos conta já era prá lá de meia-noite (estava eu virando abóbora, hehe).

Então fui-me embora.

Moro em Sampa desde que nasci, mas não costumo dirigir por aquelas bandas (uma coisa é você usar o transporte público ou o táxi-sola, outra é você dirigir, quando menos espera: contra-mão!): acabei me perdendo ao subir o viaduto errado!

E, ante ao adiantado da hora, comecei a ficar com medo: mulher sozinha na direção pelo centro de sampa à 01:00 hs (ai, ai).

Não queria parar para pedir informações: o que seria mais inseguro? Um carro andando à esmo ou parado?

Mas não houve outra alternativa, tive de fazê-lo. Lá pelas bandas da Rua Liberdade, por aquelas ruas escuras, tive de parar perto de um ponto de táxi, onde havia um morador de rua.

Parei um pouco longe dele, apesar de tê-lo escolhido para meu pedido de informações.
Surpresa: antes que eu o chamasse, ele se adiantou e perguntou ‘precisa de ajuda?’.

Por óbvio que a resposta foi positiva, ele me ensinou direitinho a chegar à Avenida Radial Leste (tão fácil, que vergonha!).

E – note a ênfase no ‘e’ – não me pediu nada em troca, só um cigarro.

Eu super-sem-graça, perguntei: ‘o senhor precisa de mais alguma coisa?’

Ele respondeu: ‘preciso, mas a senhora não deve ter nada para comer aí, ne?’.

Eu respondi negativamente – não tinha mesmo!

E, enrubescida (vermelha qual pimentão) perguntei: ‘serve dinheiro?’

Ele ficou vermelho, baixou os olhos e disse: ’se não for incômodo!’

Aquilo tudo me deixou tão estranhamente envergonhada, lembrei-me de Cecília Meirelles e de Clarence Seward Darrow:

Cecília escreveu um texto (não me recordo o nome), em que uma mulher abastada ia a uma loja de doces, encontrando uma menina pobre, resolveu dar à ela quantos doces ela quisesse. Finalizou o texto dizendo que a mulher comprava ‘anestésico da consciência’.

Clarence, um advogado estatudinense do início do século XX, reslveu defender uma causa quase perdida, que lhe renderia perda de clientes e muito desafeto. Quando questionado porque o fazia, respondeu: ‘quando um homem passa perto de um pedinte, ele vê aquela situação, volta e dá 5 pence. Provavelmente este homem não pode dispor destes 5 pence, mas o faz para comprar ‘alívio social’.

No meu caso específico, queria ser grata ao homem. Mas gratidão não se paga com dinheiro, não são estas coisas dignas de escambo.
Sentí-me indigna por ter demonstrado minha gratidão desta forma, por ter reduzido minha necessidade de agradecê-lo a uma reles questão monetária.

C’est la vie…..

Mais indigna ainda é que ainda existam humanos reduzidos à tal miséria…mas isso já é outra história.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Pobres daqueles,

            Que julgam-se livres,

            Não obstante acorrentados por toda a parte,

Pobres daqueles,

            Que julgam-se superiores,

            Aos demais animais (inclusive aos demais animais humanos),

            Sem perceber, no entanto,

            Que estamos (todos) no mesmo nível que eles,

Pobres daqueles,

            Que julgam os outros pelas roupas ou condição financeira,

            Que vêem os outros como produtos de supermercado,

            Rotulam-nos, classificam-nos e escolhem-nos,

Pobres de nós,

            Que tendo pouco mais de conforto,

            Achamos que estamos livres da miséria,

            Enquanto que o conceito ‘miséria’

Pode atingir outros aspectos de suas vidas

Pobres de nós,

            Que perdemos a capacidade de ter empatia,

            Que perdemos a simplicidade das coisas,

            Que perdemos a alegria,

            Qual preocupados ficamos em ‘ganhar o dia’.

Pobres = somos todos!!!

Por vivermos neste mar de ignomínia,

Por nos mostrarmos, por vezes, tão

Cegos,

Hipócritas,

Hedonistas,

Insensíveis…

Pobres de nós:, coitados!

 

 

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Da série: fragmentos de minha vida