Henry & June?

listradinho

Henry Müller não amava Anais Nïn,
Ou amava, mas uma espécie de amor tão-somente carnal;
Não era aquele amor,
Que sói mulheres sonham,
Que sói nós mulheres queremos,
Que só por ele ardemos,
Este, Henry sentia por June….

O amor contemplativo,
O amor emotivo,
O amor sonolento,
Modorrento,

À Anais restavam sobras,
Restava apenas….desejo,
Daqueles que não prescindem de beijos,

Que azar o da Anais,
Que sorte o da June,
Ou seria o inverso…?

Penso que o melhor seria,
Experimentar a soma dos dois:
O amor-emotivo,
O amor-desejo,
Tudo selado com vários beijos,

Vi no blog de duas meninas a imagem do post e me inspirei:
Quero um amor listadinho,
Mas quero também um amor que me dê calor,
Daquele que Maria Moura sentia por Cirino,

Quero um amor-perfeito,
Acho que disso, só terei a flor….
E se EU comprar, bien entendú!

‘Tem problema não….
o perfume dela, ficará em minhas mãos.

Raphael e a praia

Uma visita e homenagem à Dai

Eu, ainda menina, levava os garotos da vizinhança para uma casa abandonada na minha rua. Eu era a professora e hoje, com muito orgulho, devo admitir que muitos experimentaram sexo pela primeira vez com essa aqui, que vos narra. Mas Raphael – por que com ph não sei. Parece alfabeto dos meus tempos. O Raphael era muito bonito e suas sungas…

E eu ficava sempre a olhar.
Apesar de ter 69 (sem piadinhas, por favor! Respeitem minhas rugas), o tempo me foi condescendente e, o amigo do Pitangui deu uma ajudazinha (meu bolso que o diga!), de forma que, mesmo velha, na gíria de hoje ‘ainda dou um caldo’.

Não que eu arrisque andar pelas praias de fio-dental (tenho ainda ‘sitocômetro’), mas um maiô preto-básico me cai bem.

Rafaelzito (ah, menino!) sempre passeia por Ipanema, de forma que resolvi ‘aquelas bandas assuntar’. As moçoilas de hoje em dia são muito tolas! Homens se conquistam pela cabeça (não propriamente a que enfeita os ombros) e pelo paladar!

Sabendo isso (a idade traz, ao menos, experiência), fui antes ao mercado e abasteci-me do melhor, para preparar o melhor da culinária rápida. Rapazes fortes precisam se alimentar 😉
Preparei, acondicionei e levei comigo para a praia. Sentei-me perto do quiosque, embaixo de um guarda-sol gigantesco.

Quando vi o rapazote passando, fingi-me desconhecê-lo, até que a educação do moço (aliada à fome que sentia), tal qual uma queda de braço, venceu-o e ele me cumprimentou:

– Olá, dona fulana…..

Inteligentemente, respondi, toda educada:

– Olá…dispenso o ‘dona’…quer se sentar?

E ele agradeceu. Claaaro que ofereci o alimento suculento, tencionando que ele desejasse, mais tarde, alimentar-se de outro modo:

– Quer um lanchinho, querido?

Ele, faminto, aceitou:

– Noooosssa! É o melhor lanche que comi em minha vida!

– Ah, isso não é nada, bondade sua!
[como sou dissimulada – até mesmo eu me surpreendi com a ‘jogada’ ?!?!?!]

Conversa vai, conversa vem…fingi profundo interesse com o esporte que ele praticava (surfe….coisa chata!) e ele se surpreendeu com a clareza e interesse que minhas palavras revelavam.

A tarde caiu, ele foi ao mar. Aproveitei e deitei-me de bruços, pois a paixão nacional ainda é a bunda! (salvo grande engano).

Quando voltou, percebi uma olhada de esguela, mas fingi-me de morta (tal qual o abutre, que quer alimentar-se do coveiro).

A noite estava chegando, quando nos despedimos (ah, não reclame! Claro que não foi de primeira! Todo projeto demanda tempo para ser consumado)

No próximo final de semana, repeti a dose. Repeti o interesse, repeti o jogo de sedução.

Aos poucos os olhares ávidos se tornaram mais constantes. E eu com olhar distante, fingindo nada perceber.

– Olha, a senhora me desculpe, mas a senhora ta bem bonitona!

– Imagine, mocinho…..deixe o ‘senhora para lá’.
[hahahahahahaha]

No próximo final de semana, novo ataque. Minha vontade de ferro venceria a pouca tenacidade adolescente.

Então pedi ao menino Rafael (um anjo!) que passasse bronzeador nas minhas costas. Ao que ele atendeu (bom moço!). Ofereci-me para fazer o mesmo, alegando que surfistas, por estarem expostos ao sol, precisavam de maior proteção. Ele aceitou e eu aproveitei!

Dois meses se passaram, neste ‘passa-passa’, até que minhas mãos tornaram-se mais ousadas (juro que contra minha vontade!). E, hora tocavam de leve, hora tocavam forte….deixando transparecer como seriam os demais toques.

O corpo jovem, ávido…não demorou a responder (senti-me tão lisonjeada, que fiquei enrubescida). Mas…vou até o fim nesta parada!

Então começamos a nos encontrar mais cedo, para ele poder me ajudar com o cesto de lanches: nos encontrávamos no elevador, até que um dia, ele estava lotado.

Ele me ‘se encaixou’, dando-me uma ‘encoxada’, e eu empinei o que ainda restava das elevações do glúteo. E ele gostou.

Fomos à praia, mais ‘passa-passa’, mais elogios à minha formosura (me engana, que eu gosto!).

Fim de praia, chegamos a uma construção. Fingi que ouvia um barulho e disse que era melhor que investigássemos (alguém poderia precisar de socorro)….

[Dai, minha querida, conceder-me-ia a honra de – com seu talento – continuar a estória?]

As quatro operações

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil

by Clarice Lispector

Rendição

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

by Clarice Lispector

As grandes navegações de Crystal

Crystal era uma garota bem legal, não era lá uma Vênus, mas até que tinha seus atrativos, além de um bom nível de inteligência e enorme simpatia.

Uma das características mais notáveis de sua personalidade era sua capacidade de fazer amigos e entregar-se ao afeto advindo de suas relações inter-pessoais.

Ela costumava navegar por certos mares, numa dessas navegações um outro barco no dela se esbarrou e ela fez o que então pensava ser uma nova amizade. E dedicou à capitã de tal barco sincera e desinteressado afeto.

Mais tarde, em suas navegações, um certo capitão resolveu abalroar o barco dela e ela achou ter ganho um novo amigo, até que a amizade se tornou algo mais…

Confiante e feliz, os barcos dela e do capitão navegavam juntos, até que Crystal resolveu apresentar ao capitão o mar em que navegava o barco da outra capitã, sua amiga, sem, no entanto, dizer à amiga que referido capitão era seu companheiro de navegação.

Então certa feita, Crystal viu os rastros que o navio da capitã encaminhavam-se para os mares e portos onde ancoravam o navio do seu capitão. Apesar da forte intuição, que dizia a ela que tais rastros tinham certo significado, Crystal achou que tratava-se de mera coincidência (forte, mas coincidência).

Mas então nos céus se formaram nuvens que prenunciavam tempestades, e os sinais estavam cada vez mais fortes. Crystal então resolveu comentar com a capitã sua amiga, que estava namorado o capitão. Estranha foi a resposta da capitã, estranha sensação se apossou do coração de Crystal.

Os indícios se acirravam; tempestade instalada, Crystal resolveu jogar verde, pois precisava saber, não podia mais ignorar. A capitã (até então considerada uma amiga), resolveu evitar os mares por onde Crystal navegava. E mais: resolveu ‘bater em retirada’ cada vez que o navio dela apontava no horizonte.

Crystal então, com coração apertado, magoado e triste, percebeu que era forte a possibilidade de ter perdido duplamente. Apesar de saber que perdas fazem parte da vida e que somente elas são capazes de fazer-nos valorizar os pequeninos ganhos, está ela aturdida.

Consultando um amigo, jovem contador de histórias, ele a fez ver que tudo pode não passar de coincidências, e os indícios serem explicáveis individualmente. Mas ainda assim dói e Crystal, apesar de delicada, não é fraca.

Simplesmente é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado e a vida é uma sucessão de boas e más experiências. Se o acaso tiver juntado dois navios que lhe eram caros, ela só quer saber que isso ocorreu, só não deseja continuar a viver deste modo, pois a incerteza é bichinho cruel que corrói por dentro.

Crystal está prestes a mudar de mares, apareceu uma oportunidade dela usar seu barco para comércio que lhe rendam lucros mais vultosos. Nessas novas terras existem outros barcos, outros capitães, outros amigos. Crystal está confiante que, mesmo estando triste no momento, o futuro lhe reserva maiores sabores, maiores alegrias.

Qual será o final da história de Crystal?

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É apenas o esboço de uma novela, logo, não esperem lá muita coisa.

Eu já….

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram… Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que vou dizer:
– E daí? EU ADORO VOAR!

by Clarice Lispector

<esse é procê, Aline!…e prá mim também! Acho que ambas fomos retratadas)

Primeiro motivo da Rosa

Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.

Meus olhos te ofereço:
espelho para face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.

Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero
o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho… E frágil.

by Cecília Meireles

Inscrição na Areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma
.

by Cecília Meireles

Tu tens um medo

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo…
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos…
Enganados…
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor…
… E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.

by Cecília Meireles

Ampulhetas

Recebendo a visita de: Sociedadez Sonz Anciedadez

 

I

Há muito tempo, tudo o que quis for ser beijada,

E ainda quero…

<beijos intermináveis, até que os lábios mudem de cor>

Mas só meus lábios não produzem beijos,

Homens vivem,

Mulheres planejam?

 

Há muito tempo, havia em mim ingenuidade,

Era então só ‘sorrisos’,

<pergunte às flores do caminho>

Mas minha fé ingênua foi cruelmente morta,

Derramei rios de lágrimas,

Cravei minhas unhas nas palmas das mãos,

E nisso fiquei absorta,

 

Socorri-me de força de vontade,

De auto-domínio para poder suplantar

Para poder suportar,

Para poder vencer

 

Mas isso foi há muito tempo….

 

II

Todos os dias preciso de afeto,

Minha natureza delicada assim o exige,

Insinuaram que era doente,

Insinuaram que ‘precisava de ajuda’

Meus presentes, frutos de meu coração,

Foram tidos como moeda de escambo,

Transformaram-me em mera mercadora,

Trataram-me como mera mercadoria!

 

Imputaram-me vilania,

Mas isso,

Foi há tanto tempo!

 

III

Dói-me saber que fiz

Juras de amor tão sinceras,

Juras de amor pouco austeras…

Amei e, querendo ser amada,

Fui SÓ desejada…

Homens desejam,

Mulheres amam.

 

Há muito tempo,

Havia inspiração,

Enternecia-me com a música,

E, até mesmo….com a cor do céu!

Mas isso,

Isso foi há muito, muito tempo!

 

 

IV

Em dado momento perdi a fé,

Perdi esperança,

Morri um pouco….

Cartas voltaram, com carimbos:

– Ausente,

– Recusado,

-Morto

Então morri um pouco….

 

Se buscasse apenas a satisfação da carne,

Encontraria em qualquer esquina,

Em qualquer rosto….

Homens desejam amantes,

Mulheres desejam Amados!

 

Quanto tempo faz?

Faz tempo demais!?

 

 

By me

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