Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

by Clarice Lispector

Um amor perfeito; do futuro mais que perfeito do subjuntivo…

Durante toda minha vida buscava um amor perfeito,
Andava,
Corria,
Chorava….

Ranger dos dentes,
era o que mais se ouvia,

Durante todo este tempo eu vagava….
Então, aparatos eletrônicos me encontraram,
E por meio deles encontrei alguém,
Que me trouxe você….

Duas microcélulas se encontraram,
então vieram quarenta semanas de espera,
Uma dor lacerante atingiu meu ventre,
Numa sexta-feira 13 que podia ser fatídica,

Fato é que as dores vieram,
Machucaram, feriram, revoltaram…
A ponto d’eu achar que não valia a pena.

O que veio depois da sexta?
O sábado e nele você surgiu em minha vida;
Uma coisinha pequena e frágil,
Bela e enrugada…

Sentimentos confusos tomaram meu peito,
Uma brisa suave tocou meu rosto,
Seu nome surgiu em meio à confusão:
Beatrice Adele,
Nascida de boa família,
Para me trazer alegrias.

O quanto te amo?
Não me é possível mensurar;
O quanto te quero?
Não me permito falar.

Penso o tempo todo em você,
Preocupo-me o tempo todo contigo:
Sua fragilidade me toca,
Seu sorriso me rende,
Seu toque me enleva…

Ah, minha menina!
Nunca pensei que encontraria um amor assim,
completo, perfeito, sincero.

Eu te amo:
Inexplicavelmente,
Inabalavelmente,
Desesperadamente.