Confiança…?

Hoje, ao limpar minhas gavetas, acabei por ler uns textos que retirei dum blog; são textos antigos, que remontam à época em que não conhecia meu ‘boyfriend’ (???), mas eles me deixaram com a ‘pulga atrás da orelha’.

Por óbvio que eles podem não dizer nada, como nada significavam os textos que escrevi num site de uma amiga (e que ele achou que se referiam a ele), mas acho que o mesmo bicho que o mordeu resolveu alimentar-se de meus medos.

Merde! Porquê diabos temos de ser assombrados por medos, por dúvidas? Olha…geralmente sou uma pessoa cordial, pouco chegada à xingamentos & afins, mas estou com uma vontade louca de soltar impropérios!

Sabe quando um monte de ‘e se….?’ ficam populando em nossas mentes?

E se …tudo não passar de um jogo?
E se… estiver fazendo papel de palhaça?
E se….estiver sendo enganada?
E se…estiver entregando meu coração à quem não merece?
E se…? E se…? E se…?
INFERNO!
Ou será que o ditado está certo (‘O inferno são os outros’?)

Sei lá, acho que tenho muito ainda a aprender sobre relacionamentos, mas o pior mesmo é dominar minha natureza desconfiada.

Depois de uma determinada situação que vivi em minha vida, fiquei assim; E EU NÃO GOSTO DE FICAR ENXERGANDO PERIGOS OU INIMIGOS EM CADA PERSONA que aparece em minha frente!

Todos me dizem que é preciso ter confiança, sobre confiança, aprendi que:

Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a.

Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança.

A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso ter confiança em quem se confia para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínsico.

Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa.

O grau de confiança entre duas pessoas é determinado pela capacidade que elas têm de prever o comportamento uma da outra. Também é “a expectativa que nasce no seio de uma comunidade de comportamento estável, honesto e cooperativo, baseado em normas compartilhadas pelos membros dessa comunidade”. Quando isso ocorre, tenho condições de prever o comportamento do outro em uma dada circunstância. Confiança é previsibilidade do comportamento. Ao observar o comportamento de alguém, somos capazes de identificar os valores que determinam por que as pessoas se comportam de uma determinada maneira. Portanto, quando digo que confio em alguém, estou querendo dizer que: a) pertencemos à mesma comunidade de valores, e b) sei que ele estará tão orientado para atender a meus/nossos interesses quanto eu próprio estaria se estivesse no lugar dele. Quando isso acontece, as pessoas não negociam: elas são capazes de entregar um cheque em branco e assinado.

Então vejamos = são requisitos básicos da ‘confiança’:

a) Que a pessoa em que confiamos possua os mesmos valores que nós. Bueno. Como é que eu posso saber, se mal o conheço? Como posso saber que ele possui os mesmos valores que eu? É possível ter certeza, hoje ou algum dia?
b) Que conheçamos a pessoa em quem confiamos o suficiente para que possamos prever o comportamento dela diante de certos fatos/situações. OK. Isso também não tenho, pombas! Um mês não é suficiente para que conheçamos a pessoa a este ponto (e, para falar a verdade, nem sei se 1 semestre, 1 ano, 1 decênio seriam suficientes, pois tenho amigos que conheço à milênios e ainda os pego em pequenas mentiras, o que é deveras aborrecido),
c) Que saibamos que a pessoa em quem confiamos tenha seu comportamento orientado no sentido de atender aos nossos interesses. Tá, tá ta. Essa certeza também não possuo. Francamente!

Outro dia ele me enviou um torpedo ‘quem disse que a vida é feita de certezas?’ aludindo a uma insegurança dele com relação a nosso relacionamento, que poderia ter sido abalado por uma discordância.

Como resposta eu telefonei e falei exatamente isso, que a confiança nasceria com o tempo. É, falar é fácil. Racionalmente EU SEI; sentimentalmente, TENHO DÚVIDAS. Meu coração é feito de manteiga e bem sei o quanto sofro em términos de relacionamentos (especialmente aqueles que ‘não dão certo’).

Bela redundância, ó, nobre escritora! Se o relacionamento terminou, não é exatamente por não ter dado certo?

Destesto ficar neste estado de espírito. Tenho medo de perder (como se fosse possível perder algo que não é nosso…de mais a mais, ninguém é de ninguém mesmo). Mas a companhia dele me faz bem, gosto dele e não queria ser privada dessa gostosa sensação de cuidar/acarinhar/mimar/beijar quem eu gosto.

Talvez eu esteja indo com muita sede ao pote e temo por quebrá-lo, vertendo o mel. Sei lá, só sei que nada sei e quanto a isso ainda tenho minhas dúvidas.

Odeio ficar neste estado de espírito: esperando um determinado golpe baixo que pode nunca vir (como também pode estar prestes a ocorrer). Isso não é muito justo com ele (julgá-lo com o fiel dos relacionamentos anteriores que tive). Todavia, não olvido que muito colabora com isso a distância. O que é outro inferno!

Por certo não ignoro que também colabora com meu caráter desconfiado o fato de ser super independente: é difícil colocar-se nas ‘mãos de outrem’, isso importa em certo desapego de si mesmo (será que estou ‘viajando demais’?); é difícil colocar nas mãos de outrem o julgamento quando somos programados para pensar por nossas próprias cabeças e agir conforme nossos próprios desígnios.

Inferno! (ah, se mamãe visse o quanto repito esta palavra! Receberia um belo puxão de orelhas, isso sim!).

Quando alguém, desde cedo, foi treinado para solucionar seus problemas sozinhos, para tomar as decisões sozinhos, para pagar as contas sozinho, para pensar por si mesmo….caramba! Colocar-se nas mãos de outrem, confiar é um verdadeiro desafio!

Inferno! Também já estou farta de escrever isso, vou postar logo antes que me arrependa. Querem saber se farei algo a respeito? Não. Vou dormir com o ‘problema’ ou, quem sabe, deixar a areia escorrer pela ampulheta. O tempo dirá (Janete Claire ficaria orgulhosa :D)

A Thousand Miles

…Andarei mil léguas com tua imagem no coração…”

Esse texto foi retirado do livro ‘O Gigante de Botas’.

Quando estava no primeiro grau, durante uma festa de caipirinha, um menino mandou-me esse ‘correio elegante’.

Achei lindo, mas era anônimo. Conhecia a origem do texto, posto que havia lido o livro. Apesar do anonimato, inferi quem poderia ser pois, enquanto a maior parte dos colegas ainda lia a série ‘Vaga-Lume’, somente eu e um garoto (do mesmo grau) estávamos lendo a série ‘Bom Livro’.

Naquela época, os empréstimos da biblioteca eram controlados por uns cartões. Fui até lá e vi quem havia emprestado o volume. Existiam somente 3 opções: eu mesma, um colega de minha classe e um outro aluno do colegial (que estudava à noite).

Mas eu queria a certeza e, como sempre fui curiosa ao extremo, tentei arrancar da mensageira do ‘correio-elegante’ o nome do autor. Pedi, implorei…ela resistiu bravamente..mas a bravura dela sobreviveu até que eu ameacei surrá-la (é, eu era ‘sangue-quente’ naquela época). Então ela me disse: Osório. Eu pensei: eu sabia!

Então…final feliz? Na-não. O primeiro grau terminou, mudei de escola, comecei a trabalhar, e nunca mais vi o menino (que hoje deve ser um homem), tampouco jamais consegui esquecer seu nome.

Mas nunca me esqueci da frase. Esta noite lembrei-me disso, pois há um Jovem Mancebo viajando algumas léguas para me encontrar. As emoções estão confusas, não consigo dormir, nem parar de pensar nele; resolvi escrever.

Segue abaixo uma música que tem tudo a ver com o contexto:

Original em inglês:

Making my way downtown
Walking fast
Faces passed
And I´m home bound
Staring blankly ahead
Just making my way
Making my way
Through the crowd

Now I need you
Now I miss you
And now I wonder….

(chorus)
If I could fall
Into the sky
Do you think time
Would pass me by
´Cause you know I´d walk
A thousand miles
If I could
Just see you…
Tonight

It’s always times like these
When I think of you
And I wonder
If you ever
Think of me
Cause everything´s so wrong
And I don´t belong
Living in your
Precious memories

Cause I need you
Now I miss you
And now I wonder….

(chorus)
If I could fall
Into the sky
Do you think time
Would pass me by
´Cause you know I´d walk
A thousand miles
If I could
Just see you…
Tonight

And I, I
Don’t want to let you know
I, I
Drown in your memory
I, I
Don’t want to let this go
I, I
Don’t….

Making my way downtown
Walking fast
Faces passed
And I’m home bound
Staring blankly ahead
Just making my way
Making my way
Through the crowd

Now I still need you
Now I still miss you
And now I wonder….

If I could fall
Into the sky
Do you think time
Would pass us by
Cause you know I´d walk
A thousand miles
If I could
Just see you…

If I could fall
Into the sky
Do you think time
Would pass me by
Cause you know I´d walk
A thousand miles

If I could
Just see you…
If I could
Just hold you
Tonight

Tradução:

Mil milhas

Percorrendo meu caminho para o centro da cidade
Andando rápido
Rostos passaram
E eu estou perto de casa

Sem expressão, olho para frente
Apenas percorrendo meu caminho
Percorrendo um caminho
Através da multidão

E eu preciso de você
E eu sinto sua falta
E agora eu me pergunto
Se eu caísse
No céu
Você acha que o tempo
Passaria para mim?
Pois você sabe que eu andaria
Mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver… esta noite

É sempre em tempos como estes
Quando eu penso em você
E me pergunto
Se você ainda pensa em mim

Pois tudo está tão errado
E meu lugar não é
Vivendo
Em sua preciosa lembrança

Pois eu preciso de você
E eu sinto sua falta
E agora eu me pergunto
Se eu caísse
No céu
Você acha que o tempo
Passaria para mim?
Pois você sabe que eu andaria
Mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver… esta noite

E eu, eu não quero que você saiba
Eu, eu me afogo em sua lembrança
Eu, eu não quero que isto acabe
Eu, eu não…

Percorrendo meu caminho para o centro da cidade
Andando rápido
Rostos passaram
E eu estou perto de casa

Sem expressão,olhando para frente
Apenas percorrendo meu caminho
Percorrendo um caminho
Através da multidão

E eu ainda preciso de você
E eu ainda sinto sua falta
E agora eu me pergunto
Se eu caísse
No céu
Você acha que o tempo
Passaria para nós?
Pois você sabe que eu andaria
Mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver…

Se eu caísse
No céu
Você acha que o tempo
Passaria para mim?
pois você sabe que eu andaria
Mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver…
Se eu apenas pudesse te abraçar… esta noite

Para viver um grande amor….

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso,
muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher;
pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for.
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor.
É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor.
Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador.
É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor.
Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor.
E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor.
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor.
Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

by Vinicius de Morais

Para viver um grande amor
É preciso antes, esquecer a dor,
A dor de outro amor,
Ou não correspondido,
Ou não certo,
Incompleto, de certo….

É preciso ter coragem,
É preciso peito,
É preciso entregar-se,
É também preciso confiar,
Que se pode novamente viver um novo amor,

E, tendo surgido a oportunidade,
Apegar-se a ela,
Encontros casuais e intensos,
E mesmo em passos inseguros,
Trilhar o caminho,
De um grande amor,

Se o amor é um amor longe,
É preciso paciência,
É esperar saber esperar,
Sem que a espera te faça
…morrer de dor,

Ah…como é bom um grande amor,
É sentir cheiros,
Gostos,
São beijos de pingüim,
A espada e a bainha,
É arco que, vergado, atira a flecha,
Que segue certeira,
Atingindo o peito…

Viver um grande amor,
É preparar o prato predileto,
Tornar agradável a estada curta,
Tornar mais longos os dias,
Tudo para agradar o seu amor….

É ficar na cama vendo tv,
É dormir o sono dos justos,
E virar sentinela, velando o outro,
É alegrar-se com roncos,
Que demonstram ter sumido a insônia,
Fruto perverso da solidão…

É andar de mãos dadas no ‘shopping’,
É alegremente enfrentar fila pro cinema,
É rir com a película…
Rir qual louca – não pelo filme
Mas por estar ao lado de um (possível?)grande amor

Mas o que é um grande amor?
É um amor que dura um dia,
Dura dois, ou eternidade…
Sendo eternos cada momento,
Pouco importa o transcorrer do tempo,
Se estás ao lado de um amor…

Para viver um grande amor,
É preciso aprender,
A verter lágrimas quando chorar pela separação,
Torcer pelo reencontro,
Gozar as lembranças do tempo junto,
É isso….é viver um grande amor…?
Será isso? Responda-me, meu doce amor!

by me

Os brutos também amam

Os brutos também amam. Prova disso é o que eu encontrei entre os textos dos Cavaleiros do Apocalipse.

Vejam por si mesmos:

Da lavra de Monsieur Lealcy:

Pele:

Alvo alvo distante,
que minhas mãos não alcançam.
Linda seda, linda forma,
Linda em você!

Alva que se ilumina,
no calor da escuridão.
Posso ver-te em relevo,
quadro pintado pelas sombras.

Quero chegar mais perto,
sentir a textura ofengante.
Quero ver-te molhada,
nua, amargo desejo.

Nem o Sol que te castigas,
nem a Lua que te faz brilhar.
Doce morada minha, menina,
Porque não me convidas?

Da lavra do Cap.Nascimento do Ceticismo André:

Sinto falta:

Sinto falta de sua companhia…

Sinto falta dos dias em que fomos felizes e contentes,
Tranqüilos a andar abraçados por jardins e campos floridos.
Sua beleza me encantava os dias existentes;
Mas hoje me abandonaste, e não sei porque nem somos mais amigos.

Sinto falta de sua companhia…

Sinto falta do aroma que exalava de teus poros,
Do brilho radiante que lhe envolvia quando sorrias.
Sinto falta de teus carinhos tão amorosos;
Mas hoje, não existem mais tão belos dias.

Sinto falta de sua companhia…

Sinto falta do amor que por mim dizias ter,
Bem como o pulsar de nossos corações em uma só cadência.
Agora nada mais queres me dizer;
E maltrata-me, assim, com essa sua ausência.

Sinto falta de sua companhia…

Sinto falta dos olhares apaixonados que me dirigias,
Assim como suas carícias que traduziam a paixão.
Hoje por mim nada mais farias,
Além de deixar-me na mais profunda desolação.

Triste sina daquele que ama verdadeiramente;
Principalmente quando se é desprezado pela mulher, à quem um dia entregou seu coração.
O nome dela, mesmo tarde da noite, se recusa a deixar-lhe a mente,
Como se tivesse prazer em vê-lo na mais profunda solidão.

Continuo sentindo a sua falta…

E, da lavra do Jovem Bardo Revy:

Você:

O lugar que mais me faz sentir falta de você

É a minha sacada, de noite…

Vejo as palmeiras ao vento, os quintais de outras casas,

Mas você, onde está você?

O mar eu vejo um pouco,

O que mais vejo é o céu alaranjado

Me dá aquela saudade do que nem veio ainda,

Que Dinho Ouro Preto tanto conhecia

Eu encosto a cabeça na parede

Olho mais uma vez para a parte da estrada que a vista alcança

Mas você, onde está?

Por que diabos e caracinzas você não chega, onde é que você está?

Sou eu que não te enxergo ou eu que não quero te ver?

Grande que és e diferença que farás, não seria difícil de enxergar-te…

Será? Não seria, talvez quem sabe

Um detalhe que jogamos no chão concentrados no teto?

Éris, minha Éris…

Você me tira o sono, ao perguntar

E a você, cadê a você?

Por que você tanto espera a você?

Não sei, diga-me você

Melhor, diga-me, você!

Por que tanto te espero?

Onde é que estás escondida?

Se é que és, será que você existe?

Ou é apenas o limite da minha imaginação?

Que já há muito ultrapassou a linha desse mundinho pequeno…

Você, você.

Onde é que está você…

…Famintos por ele!

Quero protegê-lo,
Tirar-lhe as pedras do caminho,
Retirar-lhe as barreiras que atrapalham-no,

Quero socorrê-lo,
Quando em maus-lençóis,
Quero ser seu ser a mão estendida,

Quero dele cuidar,
Banhar, alimentar, vestir,
Perfumar, enfeitar…

Quero dele velar,
O sono…
E seus sonhos concretizar…

Quero vê-lo,
Feliz, mãos nos bolsos,
A chutar pedrinhas no caminho,
Assoviando,
Sorrindo,
Sendo por todos notado,
Por todos cumprimentado,
Por todos amado…!

Quero estar com ele,
O tempo todo, Todo o tempo….
Pela manhã,
Andar pelas ruas da cidade,
Tomando sorvete na esquina,
Rindo, quais loucos, na surdina…

Pela tarde,
Comprar pão pro lanche na padaria,
Queijo minas, pão doce

Pela noite,
Onde tudo acontece…
Eu o quero lado,
Despido do medo,
Do orgulho…de tudo,
E após nos tornarmos um,
Quero descansar em seu ombro,
Dormir e sonhar…

Quero assegurar-lhe,
Que não é preciso que fique inseguro,
Que me teste, que fique à espreita,
A vigiar….
Que meu querer é sincero,
Também temo,
Também tremo,
Mas, não sendo ele cobaia,
Abstenho-me de testá-lo…
Apenas confio,

Que a ao vê-lo,
Sinto:
Mãos gélidas,
Pernas trêmulas,
Boca seca,
Coração na boca,
Olhos famintos,
Meus olhos famintos,
Por aqueles olhos verdes,
Meus olhos famintos…
Famintos por ele!

Primeiro motivo da Rosa

Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.

Meus olhos te ofereço:
espelho para face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.

Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero
o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho… E frágil.

by Cecília Meireles

Inscrição na Areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma
.

by Cecília Meireles

Tu tens um medo

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo…
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos…
Enganados…
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor…
… E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.

by Cecília Meireles

Ampulhetas

Recebendo a visita de: Sociedadez Sonz Anciedadez

 

I

Há muito tempo, tudo o que quis for ser beijada,

E ainda quero…

<beijos intermináveis, até que os lábios mudem de cor>

Mas só meus lábios não produzem beijos,

Homens vivem,

Mulheres planejam?

 

Há muito tempo, havia em mim ingenuidade,

Era então só ‘sorrisos’,

<pergunte às flores do caminho>

Mas minha fé ingênua foi cruelmente morta,

Derramei rios de lágrimas,

Cravei minhas unhas nas palmas das mãos,

E nisso fiquei absorta,

 

Socorri-me de força de vontade,

De auto-domínio para poder suplantar

Para poder suportar,

Para poder vencer

 

Mas isso foi há muito tempo….

 

II

Todos os dias preciso de afeto,

Minha natureza delicada assim o exige,

Insinuaram que era doente,

Insinuaram que ‘precisava de ajuda’

Meus presentes, frutos de meu coração,

Foram tidos como moeda de escambo,

Transformaram-me em mera mercadora,

Trataram-me como mera mercadoria!

 

Imputaram-me vilania,

Mas isso,

Foi há tanto tempo!

 

III

Dói-me saber que fiz

Juras de amor tão sinceras,

Juras de amor pouco austeras…

Amei e, querendo ser amada,

Fui SÓ desejada…

Homens desejam,

Mulheres amam.

 

Há muito tempo,

Havia inspiração,

Enternecia-me com a música,

E, até mesmo….com a cor do céu!

Mas isso,

Isso foi há muito, muito tempo!

 

 

IV

Em dado momento perdi a fé,

Perdi esperança,

Morri um pouco….

Cartas voltaram, com carimbos:

- Ausente,

- Recusado,

-Morto

Então morri um pouco….

 

Se buscasse apenas a satisfação da carne,

Encontraria em qualquer esquina,

Em qualquer rosto….

Homens desejam amantes,

Mulheres desejam Amados!

 

Quanto tempo faz?

Faz tempo demais!?

 

 

By me

Solidão no dia dos namorados…pufff

Vi o texto abaixo no blog do amigo-blogueiro Tera.
Ao ler, lembrei-me das expressões tristes de alguns colegas de trabalho e os das pessoas na rua.

Tanta gente só, querendo ser amado!
Mas o que então impediria o encontro?

Talvez as pessoas estejam tão cauterizadas pela dor, tão tomadas pelo medo que se sintam incapazes de mostrar quem realmente são ou o que lhes vai no coração.

É tão fácil despir o corpo, tão difícil despir a alma, retirar as máscaras e mostrar quem realmente somos!

É tão difícil crer na verdade daquele que confessa sincero sentimento, pois somos o tempo todo enganados por outros, que em suas vilanias abusam da fragilidade emocional alheia!

É tão triste que um dia criado para ser alegre (será? Ou será apenas para fins comerciais?) seja tão deveras doído para tantos!

Bueno, é o que penso neste momento. Digo neste momento por dar-me o direito de mudar de idéia.
Eis o texto, faça teu julgamento:

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Solidão que assola um coração

Hoje sinto a solidão mais gelada que já esmagou meu coração.
Parece que há toneladas sobre o meu peito, impedindo-me de respirar e sufocando a pulsação do meu sangue.
Está frio… úmido e escuro.

Estou cansada, esgotada e sem perspectiva adiante.
É nojento e doentio… Há sempre milhares de pessoas ao redor, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos.

Conversas, bate-papo, passatempo, flerte, reflexão…
tudo junto, tudo um pouco, tudo muito, ao mesmo tempo, separado…
É sempre cheio de vozes por perto.
As pessoas olham e veêm uma mulher inteligente, bonita, independente, segura, extrovertida, carinhosa, fiel, dedicada…

Mas não há uma única alma que enxergue a solidão.
Um único coração capaz de acabar com esse vazio.
Chega de pessoas reclamando de seus dissabores amorosos incapazes de dar uma nova chance quando a oportunidade se apresenta.

Basta àqueles que acreditam que não existam mais pessoas interessantes o suficiente à sua altura.
Fim àqueles que não acreditam mais.
Que o pó coma os que covardes a ponto de não investirem, de não se entregarem ao calor de um beijo.

Desejo o tempo, sim…
nada mais impiedoso que ele…
para aqueles que não conseguem deixar que as coisas aconteçam naturalmente, aqueles que querem colocar o amor num cronograma.

Relacionamentos, sentimentos não são projetos.
Por que tentar prever o amanhã?
Quero pessoas maduras, seguras, corajosas e honestas o suficiente para se arriscarem a conhecer alguém.

Pessoas que estejam dispostas a sair e dedicar um tempo às outras pessoas.
Movidas pelo incontrolável desejo de sentir o sangue pulsando em suas veias.
Mantidas pela entrega à emoção do momento.

Não estou dizendo “aproveite e saia com todos”,
não estou dizendo aproveite o “ficar cada dia com alguém diferente”.
Muito pelo contrário, estou dizendo “arrisque-se a realmente estar com alguém”.

Sinta a intensidade do contato com uma outra pele.
Quero pessoas que ousem dizer o que pensam e sentem de verdade.
Quero pessoas que possam se envolver aos poucos, que possam se entregar e se deixar deslumbrar pelas diferenças,
Que queiram se sentir novamente encantadas,
Que consigam dizer que gostaram, que possam falar “mais uma vez”,
Que estejam totalmente à vontade e ao mesmo tempo conscientes de que podem dizer “então, quando é que vamos nos ver de novo”

Sabendo que esse carinho demonstra uma atitude sincera e corajosa, mas que isso não significa um compromisso.
Pessoas maduras, relacionamentos sinceros e jogo limpo…
ou, por que não chegar ao “sem jogo”?

Por que não alcançar o apaixonar-se naturalmente?
Da única maneira que isso pode acontecer como uma mágica sem explicação…
que você nem viu acontecer, mas que te faz sorrir.

By Daiany Gomes (aliás, meus parabéns!)

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